Mês: março 2018

Resultados Copa Flint & Indoor da Arqueria Curitiba

 

Neste domingo tivemos a prova de Flint Round organizada pela Arqueria Curitiba, válida pelo Circuito da Field Brasil e também pela Copa Flint & Indoor.

A prova aconteceu na Unidade Xaxim, num intenso clima de camaradagem e concentração.

Os resultados você pega por este link: https://docs.google.com/spreadsheets/d/1bciToMD6INVOc0uMYt1Xg96tLmAaDWGbK28yIujbtkA/edit?usp=sharing

As fotos você acessa no nosso álbum: https://www.facebook.com/pg/arcoeflechacuritiba/photos

Agradecemos todos que estiveram com a gente nesta manhã de domingo! MUITO OBRIGADO!

 

Dúvidas ou sugestões? Envie um e-mail para:

contato@arcoeflechacuritiba.com.br

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A História do Arco Composto (Parte1)

Texto do Instrutor Victor Goulart apresentado para a Equipe Centauros – Equipe responsável pela monitoria de atividades e formação de arqueiros da Arqueria Curitiba.


Arco Composto é um arco que utiliza um sistema de cabos e polias, para minimizar os esforços do arqueiro durante todo o tiro, para proporcionar um tiro mais fácil, mais rápido e preciso.

A história do Arco Composto

As primeiras pontas de flechas feitas de pedras foram descobertas na África, indicando que o arco e a flecha foram inventos africanos. Estas pontas de pedra datam de antes de 25.000 A.C. Especula-se que os primeiros arcos primitivos tenham surgindo em 50.000 A.C., como alternativa às longas lanças, pois seriam mais fáceis para um caçador carregar ao perseguir os animais.

Os primeiros arcos, construídos especificamente para serem arcos como os conhecemos hoje, com entalhes nos dois lados, com uma empunhadura no meio, e nocking points para flechas, foram construídos em 8.000 A.C., durante o período Mesolítico. Esses arcos foram considerados como sendo os primeiros arcos verdadeiros, pois eles foram os primeiros arcos em que as flechas eram impulsionadas pelas lâminas, ao invés da corda.

Com o passar dos séculos, o desenho básico do arco se manteve, apesar da evolução dos materiais usados para a sua construção, sua forma característica (arco de madeira e corda) se manteve e assim permaneceu por mais de 9.960 anos.

No final dos anos 20, começo dos anos 30, os arcos convencionais – long bows e recurvos – foram examinados sob uma ótica científica, com o objetivo de aperfeiçoar o seu desempenho. Foi aí que ideias sobre um tipo completamente novo de arco mecânico, com membro rígido e duas dobradiças elástico-lineares, foram discutidas pela primeira vez. Muitos rascunhos foram feitos, mas nenhum foi realmente executado com o passar das décadas.

Até que em 1960, Holless Wilbur Allen Jr., um “faz tudo” nascido em Kansas, nos EUA, se propôs a revolucionar a arqueira mundial.

Holless Wilbur Allen Jr. (1909-1979).

Não é um exagero dizer que Holless é uma das mais importantes figuras da história da arquearia moderna. Sua invenção inovou a caça com arco e criou uma categoria própria nas competições internacionais de tiro com arco.

Holless Allen Jr. disse que sua motivação era simples, explicou: “Tudo que eu estava tentando desenvolver, era um arco que levaria uma flecha para um alvo entre 10 a 25 jardas[1], antes que o alvo pudesse se mover.”.

Com o passar dos anos Allen testou e descartou vários protótipos. Até que, depois der ler sobre energia cinética no livro de física do filho, ele decidiu colocar pequenas polias de avião no fim das lâminas de um arco recurvo feito em casa.

Funcionou, mas não como ele queria. O arco ainda não era capaz de transmitir à flecha, a velocidade que ele queria.

Mais tempo se passou até que em uma tarde ele se perguntou: “E se eu posicionar o orifício do pivô da roldana ligeiramente para fora do centro?”.

Eureca! Em dois dias, Allen construiu seu primeiro protótipo de arco composto.

As polias eram de madeira, o cabo de treliça feita de tábuas de pinho, as lâminas de carvalho que ele tinha laminado com fibra de vidro em conjunto com epóxi, pregos, alguns parafusos e um pouco de cola.

O protótipo definitivo de Holless Allen.

Ele conseguiu um aumento significativo na velocidade da flecha em comparação a um arco recurvo de igual potência, além de um alívio de 15% no peso final da puxada. Sem contar o fato de passar a poder utilizar flechas mais leves do que a de um arco recurvo equivalente.

Sua invenção era significantemente mais poderosa que os arcos recurvos da época, usando aproximadamente a mesma quantidade de força, ele conseguiu ter mais eficiência energética, mais precisão e mais vantagens mecânicas em comparação com arcos longos ou recurvos.

Holless Wilbur Allen Jr entrou com o pedido de patente em 23 de Junho de 1966, mas somente em 12 de Dezembro de 1969 que a patente Nº 3.486.495 lhe foi conferida.

A inovação mais aclamada e odiada na história do tiro com arco gerou uma recepção indiferente pela indústria, nenhuma empresa se dispôs a fabricar os novos arcos compostos. Sendo assim, para poder ter seu arco produzido e comercializado, Allen percebeu que ele mesmo teria que fazê-lo.

Então, em 1967, Holless começou a produzir um número limitado de arcos compostos de quatro polias com o seu nome. Mas seu invento só viria a ganhar fama após ele enviar um arco para a The Archery Magazine e perguntar se eles o testariam e fariam um relatório técnico sobre o novo arco.

Eis que surge Tom Jennings na história do arco composto. Tom Jennings começou no arco e flecha ainda criança, aos 12 anos ele construiu seu primeiro arco recurvo, que usou para ganhar um emblema de mérito do seu clube de escoteiros.

Na época, Tom Jennings era o editor técnico da revista The Archery Magazine e sócio da S&J Archery, uma empresa que produzia arcos recurvos e longbows personalizados.

Desde o primeiro momento em que segurou e atirou com o arco de Allen, Tom Jennings viciou! Jennings não só ficou impressionado, com também viu um grande potencial no novo tipo de arco.

Os dois homens trabalharam juntos para refinar o arco composto, além de sugerir algumas melhorias, Jennings começou a produzir lâminas laminadas para que Allen pudesse usar na fabricação de seus arcos. Até que finalmente, fizeram um acordo de licenciamento para produção e comercialização dos novos arcos compostos.

Tom Jennings, “Mr. Compound Bow” (1924-2013).

Tom Jennings começou a produzi-los em sua fábrica da Califórnia. Em 1974 eles estavam vendendo tantos deles que teve que mover sua operação para um prédio muito maior. Ele começou a produzir uma versão de duas polias, e o chamou de Modelo T. Vendeu 60 mil deles no primeiro ano e poderiam ter vendido duas vezes mais se pudessem ter produzido o suficiente.

No intervalo de 10 anos (1967-77), a oferta de modelos de arcos compostos pulou de apenas dois, para 100 modelos diferentes disponíveis no mercando, e apenas 50 modelos de arcos recurvos. Depois de apenas dez anos de produção, dois terços das opções disponíveis no mercado, eram de arcos compostos, praticamente todo fabricante de arcos nos EUA aderiu ao movimento de arco composto.

Das cinco empresas que possuíam o direito de fabricar arcos compostos, utilizando projeto e patente de Allen, a PSE é a única sobrevivente.

Infelizmente, Holless W. Allen Jr. não viveu para ver todos os frutos de sua invenção. Ele faleceu em um acidente de carro em Springfield em julho de 1979. Teria ficado orgulhoso em saber que sua invenção, o arco composto, revolucionou o tiro e a caça com arcos e, que ele e Tom Jennings que entrariam no Hall of Fame do Archery.

Victor Teixeira Goulart

19.03.2018

 

[1] 10 a 25 jardas correspondem a aproximadamente 9,1425 a 22,9 metros.